De acordo com o jornalista Noblat, do Blog do Noblat. Uma decisão liminar proferida pelo desembargador do Tribunal Regional Federal da 1ª Região, Newton Ramos, em favor de Kevin de Carvalho Marques, reacendeu debates sobre possíveis conflitos de interesse no Judiciário. A decisão ocorreu cerca de um mês após uma viagem compartilhada com o ministro do Supremo Tribunal Federal, Kassio Nunes Marques.
De acordo com informações reveladas pelo jornal O Estado de S. Paulo, o desembargador e o ministro viajaram juntos para Maceió em novembro do ano passado. A viagem teria sido custeada pela advogada Camilla Ewerton Ramos, esposa de Newton Ramos, em comemoração ao seu aniversário.
Um mês após o encontro, o magistrado concedeu decisão liminar favorável a Kevin Marques, filho do ministro do STF. O caso chamou atenção por ocorrer em um curto intervalo de tempo após a viagem em comum.
Procurado, o desembargador afirmou, por meio de nota, que não há irregularidade em sua atuação. “Os fatos relatados não se enquadram nas hipóteses legais de impedimento”, declarou Newton Ramos, sustentando que não havia obrigação de se declarar suspeito no processo.
Já o advogado Kevin de Carvalho Marques não comentou o caso.
A reportagem também aponta que não foi a única ocasião em que houve proximidade entre as famílias. Em abril do ano passado, dois filhos do ministro do STF, incluindo Kevin, teriam viajado em outro avião ao lado de Camilla Ewerton Ramos e do desembargador, com destino a Trancoso, na Bahia.
Especialistas em direito público destacam que, embora a legislação brasileira estabeleça critérios objetivos para impedimento e suspeição de magistrados, situações envolvendo relações pessoais podem gerar questionamentos sobre a imparcialidade — ainda que não configurem, necessariamente, ilegalidade.
O caso segue repercutindo no meio jurídico e pode ampliar a discussão sobre transparência e ética nas relações entre membros do Judiciário brasileiro.
