O Supremo Tribunal Federal condenou o empresário catarinense Alcides Hahn a 14 anos de prisão em regime inicial fechado por envolvimento no financiamento logístico dos atos de 8 de janeiro de 2023, em Brasília.
A decisão foi tomada pela Corte com base em uma transferência de R$ 500 via Pix, valor destinado ao pagamento de um ônibus fretado que transportou manifestantes de Blumenau (SC) até a capital federal. Segundo a acusação, a contribuição ajudou a viabilizar a participação nos ataques às sedes dos Três Poderes.
Hahn foi condenado por crimes como abolição violenta do Estado Democrático de Direito, tentativa de golpe de Estado, dano qualificado, deterioração de patrimônio tombado e associação criminosa. A pena inclui mais de 12 anos de reclusão, além de detenção, multa e participação solidária em indenização por danos coletivos.
De acordo com a Procuradoria-Geral da República, o empresário não agiu sozinho. Outros dois homens também foram condenados por contribuir financeiramente com o transporte: um deles transferiu R$ 1 mil e outro R$ 10 mil, sendo apontado como liderança regional na organização das caravanas.
A defesa de Hahn sustentou que o valor teria sido um empréstimo pessoal a um conhecido, sem conhecimento sobre o destino do dinheiro. Ainda assim, o STF entendeu que houve nexo entre a transferência e a logística dos atos, considerando que o financiamento — independentemente do valor — contribuiu para a realização das manifestações.
O caso reforça o entendimento adotado pelo tribunal de responsabilizar não apenas participantes diretos dos atos, mas também financiadores, mesmo aqueles que não estiveram presentes em Brasília. Para o Ministério Público, o rastreamento de transferências via Pix tem sido elemento central na identificação de envolvidos.
A condenação ocorre em meio a uma série de julgamentos relacionados aos atos de 8 de janeiro, que seguem sendo analisados pelo STF como parte das investigações sobre tentativa de ruptura institucional no país.
