A reunião entre a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro e o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes ocorreu em meio a um momento decisivo para a situação jurídica do ex-presidente Jair Bolsonaro e antecedeu a concessão de prisão domiciliar por razões humanitárias.
O encontro foi realizado no dia 23 de março de 2026, em Brasília, após solicitação da própria Michelle. Na ocasião, ela reforçou ao ministro o pedido da defesa para que Bolsonaro cumprisse a pena em regime domiciliar, alegando a necessidade de cuidados médicos contínuos.
A reunião ocorreu poucas horas depois de a Procuradoria-Geral da República (PGR) emitir parecer favorável à prisão domiciliar, sustentando que o estado de saúde do ex-presidente exigia monitoramento constante — algo considerado mais adequado fora do sistema prisional.
Internado desde meados de março em um hospital particular em Brasília, Bolsonaro foi diagnosticado com broncopneumonia bacteriana e outras complicações clínicas, o que motivou a intensificação dos pedidos por mudança no regime de cumprimento da pena.
A decisão final cabia a Moraes, relator do caso no STF. No dia seguinte ao encontro, o ministro autorizou a prisão domiciliar temporária por razões humanitárias, estabelecendo restrições como uso de tornozeleira eletrônica, limitação de visitas e proibição de uso de celulares ou redes sociais.
Aliados políticos do ex-presidente, como o senador Flávio Bolsonaro e o governador Tarcísio de Freitas, também haviam se reunido anteriormente com Moraes para defender a mesma medida, evidenciando uma mobilização política em torno do tema.
Condenado a mais de 27 anos de prisão por envolvimento na trama golpista investigada pelo STF, Bolsonaro já cumpria pena sob custódia quando apresentou agravamento no quadro de saúde, o que reacendeu o debate jurídico sobre a adequação do regime prisional.
Embora a reunião de Michelle não tenha caráter decisório formal, ela ocorreu em um contexto de forte pressão institucional e política, sendo interpretada como parte dos movimentos que antecederam a decisão que autorizou a prisão domiciliar do ex-presidente.O

