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| Foto: Jefferson Rudy/Senado |
O senador Sergio Moro (PL-PR) afirmou nesta terça-feira (24) que a eleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em 2022, ocorreu “em cima de uma mentira”. A declaração foi feita durante o evento de filiação do ex-juiz ao Partido Liberal (PL), em Brasília, onde ele também sinalizou sua pré-candidatura ao governo do Paraná.
Segundo Moro, a suposta “mentira” estaria relacionada à narrativa de que Lula seria inocente no âmbito dos processos da Operação Lava Jato. “Ele foi eleito em cima de uma mentira de que seria inocente”, declarou o senador, acrescentando que o presidente “nunca foi inocentado pelo Supremo Tribunal Federal” e que chegou a ser condenado em diferentes instâncias da Justiça.
A fala ocorre em meio à reaproximação de Moro com o campo político ligado ao ex-presidente Jair Bolsonaro, após sua filiação ao PL. O movimento é visto como parte de uma estratégia eleitoral para 2026, especialmente no cenário estadual do Paraná.
Durante o evento, Moro também criticou o governo federal e reforçou posicionamentos já adotados anteriormente, como a associação entre políticas públicas e aumento da criminalidade — afirmação recorrente em discursos de oposição.
Contexto jurídico
Apesar das declarações, decisões do Supremo Tribunal Federal (STF) anularam as condenações de Lula relacionadas à Lava Jato, com base em questões processuais, como a incompetência da vara de Curitiba e a suspeição de Moro em alguns casos. Essas decisões restabeleceram os direitos políticos do presidente, permitindo sua candidatura em 2022.
Especialistas apontam que a anulação das condenações não equivale juridicamente a uma absolvição de mérito em todos os casos, mas torna inválidos os processos anteriores — o que, na prática, retirou os efeitos das sentenças.
Repercussão política
A declaração de Moro gerou reações no meio político e deve intensificar o embate entre aliados do governo e da oposição. O episódio reforça o tom de polarização que deve marcar o cenário eleitoral brasileiro nos próximos anos, especialmente com a antecipação das articulações para 2026.
Analistas avaliam que o discurso do senador busca mobilizar sua base eleitoral e consolidar apoio dentro do PL, partido que abriga figuras centrais da oposição ao atual governo.

