As contas públicas do governo federal voltaram a apresentar resultado negativo em fevereiro, aprofundando o cenário de pressão sobre o equilíbrio fiscal em 2026. Dados recentes indicam que o mês fechou com déficit na casa de dezenas de bilhões de reais, em linha com a dificuldade já observada ao longo dos últimos anos para cumprir metas de resultado primário.
O resultado primário — que mede a diferença entre receitas e despesas do governo, sem considerar os juros da dívida — tem sido um dos principais desafios da equipe econômica. Apesar de um início de ano positivo, com superávit de R$ 86,9 bilhões em janeiro, impulsionado por arrecadação elevada , o cenário anual segue pressionado.
No acumulado de 12 meses até janeiro de 2026, o governo central ainda registra déficit de R$ 62,7 bilhões, equivalente a 0,47% do PIB . Esse dado mostra que resultados pontuais positivos não têm sido suficientes para reverter o quadro estrutural das contas públicas.
Histórico recente de déficits
O desempenho fiscal recente reforça a tendência de desequilíbrio. Em 2025, o governo central encerrou o ano com déficit primário de R$ 61,7 bilhões antes de ajustes . Considerando as regras do arcabouço fiscal — que permitem excluir determinadas despesas — o resultado oficial foi reduzido para R$ 13 bilhões negativos, dentro da meta estabelecida.
Já o setor público consolidado (que inclui União, estados e municípios) teve déficit de R$ 55 bilhões no mesmo ano , evidenciando que o desequilíbrio fiscal não se restringe ao governo federal.
Pressão estrutural nas contas
Especialistas apontam que o aumento contínuo de despesas obrigatórias, especialmente com Previdência e programas sociais, tem limitado a capacidade de ajuste fiscal. Em paralelo, o crescimento das despesas tem superado o avanço das receitas em termos reais em diversos períodos recentes .
Além disso, quando se consideram os juros da dívida pública, o rombo nominal é ainda maior: o setor público registrou déficit superior a R$ 1 trilhão em 2025.
Desafio para 2026
A meta fiscal do governo segue sendo ambiciosa, com objetivo de déficit zero, mas com margem de tolerância. Ainda assim, o desempenho recente — incluindo o resultado negativo de fevereiro — indica que o cumprimento da meta dependerá de medidas adicionais de arrecadação ou contenção de gastos ao longo do ano.
Economistas avaliam que, sem mudanças estruturais, o país deve continuar enfrentando dificuldades para equilibrar as contas públicas, mesmo em cenários de arrecadação elevada.

