EUA avançam em acordo sobre terras raras em Goiás e aguardam posição do governo Lula

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 Por Redação — 18 de março de 2026

 


Os Estados Unidos deram mais um passo estratégico na disputa global por minerais críticos ao firmar um acordo com operação de terras raras no estado de Goiás, enquanto aguardam um posicionamento definitivo do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva sobre uma parceria mais ampla no setor.



O movimento faz parte de uma ofensiva americana para reduzir a dependência da China no fornecimento de insumos essenciais à indústria de alta tecnologia, como veículos elétricos, equipamentos médicos e sistemas de defesa.



Financiamento e presença em Goiás


Em fevereiro, o governo dos EUA anunciou um financiamento de cerca de US$ 565 milhões para a mineradora brasileira Serra Verde, que atua em Minaçu (GO), com possibilidade de participação acionária no projeto.  


A empresa é responsável por uma das principais iniciativas de produção de terras raras pesadas fora da Ásia — minerais considerados estratégicos por seu uso em tecnologias avançadas. A expectativa é que a produção alcance até 6.500 toneladas anuais até 2027.  



Além do financiamento, autoridades americanas indicaram interesse em expandir a cooperação para incluir processamento e refino dentro do Brasil, agregando valor à cadeia produtiva local.  


Pressão geopolítica e disputa com a China


A aproximação ocorre em meio à crescente disputa entre Washington e Pequim pelo controle das cadeias globais de minerais críticos. Atualmente, a China domina cerca de 70% da capacidade global de processamento de terras raras, o que tem levado os EUA a buscar parceiros estratégicos.  


Nesse contexto, o Brasil aparece como peça-chave: o país possui uma das maiores reservas do mundo e, até o momento, ainda não consolidou uma política nacional definitiva para o setor.



Governo Lula adota cautela


Apesar do avanço nas negociações e do acordo já firmado em Goiás, o governo brasileiro mantém uma postura cautelosa. O Palácio do Planalto vê com bons olhos investimentos estrangeiros, mas resiste a modelos que possam comprometer a autonomia sobre as reservas nacionais.  


Segundo interlocutores do governo, há preocupação de que acordos mais amplos possam “amarrar” o Brasil a interesses exclusivos dos EUA. A estratégia defendida por Brasília é diversificar parcerias internacionais e priorizar o desenvolvimento da indústria nacional, exportando apenas excedentes.  



Próximos passos


Diplomatas e representantes dos dois países discutem a possibilidade de ampliar o entendimento durante encontros bilaterais previstos para 2026. No entanto, ainda não há definição sobre a adesão formal do Brasil a uma aliança liderada pelos EUA para minerais críticos.


Enquanto isso, o acordo já firmado em Goiás consolida a presença americana no setor e reforça a importância estratégica das terras raras brasileiras no cenário global — deixando em aberto o próximo movimento do governo Lula.

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