Brasília — Em meio à crescente repercussão do chamado caso Banco Master, a ministra da Secretaria de Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann (PT), declarou nesta quarta-feira (28) que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) tinha conhecimento de que o então futuro ministro da Justiça, Ricardo Lewandowski, mantinha contratos de consultoria privada antes de assumir o cargo.
Em entrevista a jornalistas, Gleisi afirmou que Lewandowski informou o presidente sobre seus vínculos profissionais fora do serviço público ao ser convidado para integrar o governo, ressaltando que o ex-ministro se afastou de todas as atividades privadas, inclusive de consultorias, para assumir a pasta.
“Ao convidar o ministro Lewandowski, o presidente sabia que ele tinha contratos privados. E o ministro informou que iria cumprir a lei e desvencilhar-se de todos os contratos, o que ele fez”, afirmou a ministra, buscando minimizar críticas sobre possível conflito de interesses.
Repercussão do escândalo Master
O chamado caso Master envolve a liquidação do Banco Master pelo Banco Central e investigações sobre suspeitas de fraude bancária que levaram à prisão do banqueiro Daniel Vorcaro, dono da instituição, pela Polícia Federal. Parte da controvérsia ganhou espaço político após a divulgação de contratos de consultoria mantidos pelo escritório de Lewandowski — que contava com sua família como sócios — com a instituição financeira antes de sua gestão na Justiça.
A ministra Gleisi rejeitou a ideia de que a gestão do presidente Lula tenha favorecido ou acobertado relações entre autoridades e o banco, ressaltando que as investigações foram conduzidas com rigor técnico e legal, inclusive durante o tempo em que Lewandowski comandava a Justiça, pasta responsável pela Polícia Federal.
Debate político e respostas à oposição
Ao rebater críticas da oposição, Gleisi afirmou que a atual gestão federal não tem motivos para temer a investigação e sugeriu que adversários políticos têm mais explicações a dar sobre suas próprias relações com o banco e com fundos de pensão que também se envolveram em investimentos no Master.
A declaração ocorre em um momento de pressão política, com pedidos de esclarecimentos e eventuais iniciativas no Congresso para aprofundar a apuração dos fatos, embora o governo tenha dito que não pretende se posicionar formalmente sobre a criação de uma Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI).

