Documento obtido pela revista piauí cita possível ligação do ministro do STF com o fundo Arleen, que recebeu recursos do ex-banqueiro do Banco Master; Toffoli nega ter mantido dinheiro no exterior ou qualquer operação nas Ilhas Virgens Britânicas
Foto: Rosinei Coutinho/SCO/STF
Um relatório da Polícia Federal aponta indícios de uma possível ligação financeira entre o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Dias Toffoli e o empresário Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master.
Segundo o documento, obtido pela revista piauí, Vorcaro teria destinado ao menos R$ 35 milhões ao fundo de investimento Arleen, que mantinha participação no resort Tayayá, empreendimento ligado à família de Toffoli, no Paraná.
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A PF levantou a hipótese de que Toffoli pudesse ser o “beneficiário final” ou “proprietário de fato” do fundo Arleen. O relatório, entretanto, ressalva que os elementos encontrados ainda não seriam suficientes para conclusões definitivas e aponta a necessidade de aprofundamento das investigações.
Recursos chegaram a uma estrutura no exterior
De acordo com a investigação, em 2025 ocorreram mudanças na estrutura societária do fundo.
O Arleen, que anteriormente pertencia a Vorcaro, passou para o empresário Alberto Leite, apontado como amigo de Toffoli. Na sequência, o regulamento do fundo teria sido alterado para permitir investimentos no exterior.
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Meses depois, aproximadamente R$ 34 milhões foram transferidos para a Egide I, uma holding registrada nas Ilhas Virgens Britânicas, território conhecido por oferecer estruturas financeiras com baixa tributação.
Para a Polícia Federal, a sequência das operações levantou suspeitas sobre a possível utilização de terceiros e estruturas internacionais para movimentação dos recursos.
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Mensagens chamaram a atenção dos investigadores
O relatório também apresenta mensagens encontradas no celular de Daniel Vorcaro durante a investigação.
Em agosto de 2024, o empresário teria demonstrado preocupação com atrasos relacionados a aportes no fundo ligado ao Tayayá. Segundo a piauí, Vorcaro chegou a informar que pretendia falar diretamente com Toffoli sobre o assunto.
Em determinado momento, o empresário enviou mensagem ao ministro perguntando se poderia encontrá-lo naquele dia. O relatório não registra a resposta de Toffoli à mensagem.
A PF também identificou registros de encontros entre Vorcaro e Toffoli. Segundo o documento, foram encontrados ao menos 12 registros distintos de encontros presenciais, convites ou agendamentos, sendo seis descritos como encontros efetivamente ocorridos entre novembro de 2023 e abril de 2024.
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Investigação também analisou voto de Toffoli
Outro ponto destacado pelos investigadores envolve uma decisão de Toffoli em processo relacionado à usina Alcídia, que tinha interesse para o grupo empresarial ligado ao Banco Master.
Segundo o relatório, mensagens de integrantes do grupo de Vorcaro indicariam que o empresário acompanhava o julgamento e comemorou o resultado após o voto de Toffoli.
A PF classificou as mensagens como elementos que mereciam análise adicional, mas afirmou que os dados disponíveis não permitiam, naquele momento, estabelecer conclusões definitivas sobre eventual influência de Vorcaro na decisão do ministro.
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Toffoli nega irregularidades
Procurado pela revista piauí, o gabinete de Dias Toffoli negou que o ministro tenha mantido recursos no exterior.
Em nota, afirmou que Toffoli “jamais manteve ou teve direta ou indiretamente recursos no exterior” e que também nunca realizou operações, direta ou indiretamente, nas Ilhas Virgens Britânicas.
A defesa do ministro também contestou a interpretação dada ao relatório da PF e afirmou que o caso relacionado à suspeição de Toffoli já havia sido analisado pelo STF.
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Segundo a manifestação de Toffoli, os dez ministros da Corte tiveram conhecimento das informações e deliberaram que não havia motivo para reconhecer sua suspeição.
Relatório ainda levanta dúvidas
Apesar da gravidade das suspeitas descritas no documento, a própria Polícia Federal afirma que os elementos analisados não eram suficientes para conclusões definitivas e que determinadas questões precisariam de aprofundamento.
A reportagem da piauí também aponta que o relatório foi encaminhado ao STF porque ministros da Corte possuem regras específicas para eventual investigação.
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O documento passou a ganhar maior repercussão pública após a divulgação de seus detalhes em setembro de 2026, em meio à crise envolvendo as investigações sobre o Banco Master e as relações de Daniel Vorcaro com autoridades e políticos.
Até o momento, portanto, a existência do relatório e dos elementos descritos pela PF é fato; já a hipótese de que Dias Toffoli seria o verdadeiro beneficiário dos R$ 35 milhões permanece como uma suspeita investigativa, e não como uma conclusão definitiva de que o ministro tenha recebido ou ocultado esses recursos.
