| FOTO: KEBEC NOGUEIRA/METRÓPOLES |
O ex-desembargador Sebastião Coelho da Silva, que ganhou notoriedade nacional após protagonizar críticas contundentes ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), entrou no cenário eleitoral de 2026 como pré-candidato ao Senado pelo Distrito Federal pelo partido Novo.
A pré-candidatura marca uma nova etapa na trajetória pública de Coelho, que deixou a magistratura em 2022 e, desde então, passou a atuar como advogado e a participar ativamente de debates relacionados ao Judiciário, às eleições e às decisões do Supremo.
Confronto com Alexandre de Moraes
A projeção nacional de Sebastião Coelho começou a crescer em agosto de 2022, quando, ainda desembargador do Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios (TJDFT), fez críticas públicas ao então presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Alexandre de Moraes.
Durante uma sessão, Coelho afirmou que havia ficado decepcionado com o discurso de posse de Moraes na presidência do TSE e classificou algumas declarações do ministro como excessivamente confrontadoras. Pouco depois, anunciou sua aposentadoria antecipada. Registros oficiais do TJDFT confirmam que sua aposentadoria ocorreu em 2022.
A relação entre os dois voltaria a ganhar repercussão em 2023, quando Coelho atuou como advogado na defesa de um dos réus dos processos relacionados aos atos de 8 de janeiro e realizou sustentação oral perante o Supremo.
Da magistratura à política
Depois de deixar a magistratura, Coelho passou a ocupar espaço no debate político nacional, especialmente entre grupos críticos à atuação do STF e do TSE.
Em novembro de 2022, por exemplo, ele participou de uma audiência no Senado Federal e fez novas críticas a Alexandre de Moraes, defendendo medidas contra o ministro. O episódio teve ampla repercussão e consolidou a imagem de Coelho como um dos críticos mais contundentes do magistrado.
A atuação política do ex-desembargador também passou a se aproximar do Congresso. Em 2025, seu nome apareceu, inclusive, entre os autores de uma representação apresentada no Senado contra o procurador-geral da República, Paulo Gonet.
Projeto para o Senado
Agora, quatro anos depois de deixar a magistratura, Sebastião Coelho pretende transformar sua atuação pública em projeto político.
Em entrevista ao Correio Braziliense, em julho de 2026, o pré-candidato afirmou que pretende defender uma reforma do Poder Judiciário caso seja eleito senador. Entre as propostas apresentadas por Coelho está a discussão sobre mudanças no processo de escolha dos ministros do Supremo Tribunal Federal.
Segundo o ex-desembargador, o STF precisa passar por mudanças institucionais. Ele também afirmou que a Corte não deveria funcionar como um “tribunal de amigos”, defendendo alterações na forma de indicação de seus integrantes.
A pré-candidatura coloca Coelho em um cenário eleitoral que promete ser disputado no Distrito Federal. O ex-magistrado terá pela frente nomes de diferentes partidos que também avaliam concorrer às duas vagas destinadas ao Senado nas eleições de 2026.
Uma candidatura construída sobre o embate com o STF
A trajetória política de Sebastião Coelho deverá ser diretamente associada à sua atuação crítica em relação ao Supremo Tribunal Federal e, principalmente, a Alexandre de Moraes.
Sua passagem pela magistratura, o episódio envolvendo sua aposentadoria, as declarações feitas no Senado e sua atuação como advogado em processos relacionados ao 8 de janeiro ajudaram a construir uma imagem pública que agora será colocada à prova nas urnas.
Para seus apoiadores, o ex-desembargador representa uma voz de oposição ao que considera excessos do Poder Judiciário. Para seus críticos, sua atuação pública após a aposentadoria demonstra uma mudança significativa de posição, passando da magistratura para uma atuação política mais explícita.
O fato é que Sebastião Coelho chega à disputa eleitoral de 2026 com uma trajetória já conhecida por parte do eleitorado e com uma bandeira política claramente definida: a defesa de mudanças na estrutura e no funcionamento do Judiciário brasileiro.
A confirmação de sua candidatura, entretanto, ainda depende das etapas previstas no calendário eleitoral, incluindo as convenções partidárias e o registro da candidatura perante a Justiça Eleitoral.
